25.9.11

NOVE RAZÕES PODEROSAS PARA CRER NO ARREBATAMENTO PRÉ-TRIBULAÇÃO

Que estas possam convencer os cristãos que mais duvidam do Arrebatamento pré-trib. O clima espiritual, político, econômico e ambientalista do mundo atual está seguindo rapidamente a rota da Grande Tribulação. Este período de sete anos não poderá ter início, antes do Filho de Deus arrebatar a Sua Noiva. Tentaremos mostrar nove princípios bíblicos poderosos e claros para que o Arrebatamento pré-trib aconteça. Somente depois que estas coisas acontecerem é que a Grande Tribulação vai chegar, quando a porta for aberta, Satanás for atirado à Terra e... “Ai dos que habitam na Terra e do mar!” (Apocalipse 12:12).

Satanás ficará livre para agir, quando a Noiva de Cristo for removida, e, então, ele poderá revelar o seu Anticristo. A palavra “Arrebatamento” é “Rapture” em Inglês e vem da palavra grega “Harposia”, sendo um termo carinhoso no que se refere ao amor de Cristo pela Sua Noiva. Vejamos as razões para o Arrebatamento:

1. - Ele se encaixa na precedência bíblica do julgamento divino contra os ímpios, conforme o Salmo 37:5: “Entrega o teu caminho ao SENHOR; confia nele, e ele o fará”. Davi deixa claro que o nosso grande Deus jamais iria negar 6.000 anos de história e julgar a Sua igreja do mesmo modo terrível como julgará os ímpios, uma injustiça que não se encaixa no Seu caráter divino.

Quando veio o dilúvio mundial, antes do qual o mundo pagão debochava do justo Noé e de sua família, Noé achou graça diante do Senhor e foi salvo das águas, junto com a sua família. Hoje, a nossa ARCA é Cristo.

2. - Sodoma e Gomorra haviam descido ao mais repugnante nível de imoralidade sexual, quando Deus resolveu purificá-las através do fogo. Mas Ló e sua família (com exceção da esposa indecisa) foram salvos da destruição pelo fogo.

A igreja será julgada antes do mundo “Porque bem conhecemos aquele que disse: Minha é a vingança, eu darei a recompensa, diz o Senhor. E outra vez: O Senhor julgará o seu povo”. (Hebreus 10:30) e “Porque já é tempo que comece o julgamento pela casa de Deus; e, se primeiro começa por nós, qual será o fim daqueles que são desobedientes ao evangelho de Deus?” (1 Pedro 4:17). Em Lucas 12:48-b, lemos: “...ao que muito se lhe confiou, muito mais se lhe pedirá”. Mas, o julgamento da igreja será diferente do julgamento usado no Velho Testamento e deve acontecer antes do julgamento dos judeus e do mundo gentílico.

3. - A Noiva de Cristo deve ser-Lhe apresentada numa cerimônia exclusiva, separada de todos os outros eventos dos últimos dias. A Redenção é muitíssimo mais do que um simples seguro contra o fogo. A raiz e o fundamento do amor de Deus pelo mundo, quando enviou o Seu Filho unigênito, foi o de constituir uma família. Uma família unida enternece o coração do Senhor. O convite à salvação é um convite às Bodas da Ceia do Cordeiro, uma reunião de família. A adoração nos leva a celebrar uma relação familiar com o nosso Criador e Pastor espiritual, quando celebramos o Seu amor, até que possamos comparecer diante dEle. Por enquanto nós nos comportamos como uma virgem, com ansiedade pela hora das bodas, quando iremos ver a face do Noivo amado.

Em Mateus 25:1-13, lemos a história das dez virgens e, no último verso, esta admoestação: “Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora em que o Filho do homem há de vir”.

4. - Confiamos na Sua promessa de guardar a Noiva, no tempo da tribulação. Esta é uma garantia reservada exclusivamente aos filhos de Deus, adotados através de Cristo Jesus. O profeta Isaías fala dos episódios finais, referindo-se a Israel; junto com a nação judaica, os gentios foram abençoados com idênticas promessas. Leiamos Isaías 26:19-21: “Os teus mortos e também o meu cadáver viverão e ressuscitarão; despertai e exultai, os que habitais no pó, porque o teu orvalho será como o orvalho das ervas, e a terra lançará de si os mortos. Vai, pois, povo meu, entra nos teus quartos, e fecha as tuas portas sobre ti; esconde-te só por um momento, até que passe a ira. Porque eis que o SENHOR sairá do seu lugar, para castigar os moradores da terra, por causa da sua iniqüidade, e a terra descobrirá o seu sangue, e não encobrirá mais os seu mortos”.

5. - O Arrebatamento Pré-Trib - é a única explicação razoável para o fato de que alguns serão levados e outros deixados para trás. Nenhuma outra explicação podemos ter para Mateus 24, no qual vemos a exclusão de pessoas não preparadas para o evento. Jesus admoestou sobre a rapidez do acontecimento, cujo dia Ele afirmou que somente o Pai conhecia, citando a semelhança com os dias de Noé: “Então, estando dois no campo, será levado um, e deixado o outro; Estando duas moendo no moinho, será levada uma, e deixada outra. Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora há de vir o vosso Senhor. Então, estando dois no campo, será levado um, e deixado o outro”. (Mateus 24:40-42).

Tentar diluir os ensinos do Senhor, como tem acontecido nas novas versões da Bíblia, é demonstrar desprezo pela verdade. Portanto, trata-se de uma enorme arrogância religiosa. A palavra para “vinda” é “parousia”, referindo-se à vinda do Senhor somente para os crentes, num local e tempo específicos. Já a palavra “apokalupsis” - usada nos versos 30-31 do mesmo capítulo - significa “revelação”, ou seja, a revelação da assombrosa santidade e glória do Senhor. Esta palavra está relacionada com a Sua volta para enfrentar a Batalha do Armagedom, após a qual, Cristo estabelecerá o Seu Reinado de Mil anos.

6. - Ele admoesta sobre o dia em que virá despercebido pelo mundo, mas percebido pelos que O estão aguardando. Estes versos são cruciais para que se estabeleça a “grande esperança” da igreja. Em Lucas 21:34-36, lemos esta admoestação de Jesus aos Seus discípulos de todas as eras: “E olhai por vós, não aconteça que os vossos corações se carreguem de glutonaria, de embriaguez, e dos cuidados da vida, e venha sobre vós de improviso aquele dia. Porque virá como um laço sobre todos os que habitam na face de toda a terra. Vigiai, pois, em todo o tempo, orando, para que sejais havidos por dignos de evitar todas estas coisas que hão de acontecer, e de estar em pé diante do Filho do homem”.

Se indagarmos a uma multidão que está na igreja, numa manhã de domingo, quantos crentes estão preparados para subir junto com o Senhor, dificilmente veremos mãos sinceramente levantadas. A maioria não terá ido aos estudos bíblicos semanais na igreja, tendo dado preferência às novelas e aos jogos da TV. A explicação para tal descaso com as coisas de Deus é que já estamos mergulhados na apostasia dos tempos finais e esquecemos a admoestação de Cristo, para que estejamos preparados.

Agora mesmo, Satanás está espalhando suas armadilhas de entretenimento (inclusive dentro da igreja), de prazer carnal e outras condenadas em Gálatas 5:19-21, para que nós, os cristãos, não olhemos “somente para Jesus, autor e consumador da nossa fé” (Hebreus 12:2) e nos embrenhemos nos cuidados do mundo. Satanás era o anjo mais inteligente que Deus tinha em Seu reino celestial e sabe usar a inteligência para encher o seu reino infernal de almas enganadas pela sua astúcia.

7. Um agricultor costuma estar atento, a fim de que sua colheita seja feita antes da chegada do inverno, aproveitando o verão. Um provérbio do sábio Salomão diz: “O que ajunta no verão é filho ajuizado, mas o que dorme na sega é filho que envergonha”.

Isaías 57:1-c nos ensina: ”O justo é levado antes do mal”. Nos versos 3-5 do mesmo capítulo, lemos esta admoestação aos que preferem gozar as delícias mundanas: “Mas chegai-vos aqui, vós os filhos da agoureira, descendência adulterina, e de prostituição. De quem fazeis o vosso passatempo? Contra quem escancarais a boca, e deitais para fora a língua? Porventura não sois filhos da transgressão, descendência da falsidade, Que vos inflamais com os deuses debaixo de toda a árvore verde, e sacrificais os filhos nos ribeiros, nas fendas dos penhascos?” Estes versos poderiam ser facilmente aplicados aos líderes da prosperidade, que vivem “profetizando” maravilhas aos seus seguidores. A “árvore verde” desses pregadores ambiciosos são as notas verdes de dólares, que eles enviam para os paraísos fiscais.

8. - A Escritura Sagrada afirma enfaticamente que o Anticristo não poderá ser revelado antes que o Espírito Santo seja retirado da Terra, onde Ele habita, nos corações dos cristãos verdadeiros. Leiamos o que Paulo ensinou na 2 Tessalonicenses 2:6-8: “E agora vós sabeis o que o detém, para que a seu próprio tempo seja manifestado. Porque já o mistério da injustiça opera; somente há um que agora resiste até que do meio seja tirado; E então será revelado o iníquo, a quem o Senhor desfará pelo assopro da sua boca, e aniquilará pelo esplendor da sua vinda”.

A presença do Espírito Santo funciona como uma barragem, impedindo que, com o rompimento da mesma, as águas poluídas de Satanás possam inundar o mundo, causando enorme destruição, com todos os tipos inimagináveis de desgraças físicas e espirituais...

Os novaerenses pregam a Era de Aquário, a qual bem poderia se encaixar no rompimento dessa barragem, inundando, com as águas rotas do pecado, os quatro cantos da Terra. Eles usam a expressão noutro sentido, mas Deus sabe o que ela realmente significa.

9. - A promessa do Senhor é clara. Ele vai arrebatar e encontrar os Seus amados nos ares. Paulo explica isto na 1 Tessalonicenses 4:16-18: “Porque o mesmo Senhor descerá do céu com alarido, e com voz de arcanjo, e com a trombeta de Deus; e os que morreram em Cristo ressuscitarão primeiro. Depois nós, os que ficarmos vivos, seremos arrebatados juntamente com eles nas nuvens, a encontrar o Senhor nos ares, e assim estaremos sempre com o Senhor. Portanto, consolai-vos uns aos outros com estas palavras”.

Como vemos, o Senhor não vai nos mandar Gabriel nem Miguel, mas Ele mesmo vai nos “puxar para cima”! Satanás está em total prontidão com as suas hostes malignas (ele é o príncipe das potestades do ar), pronto para atacar os que dormem. Ele anseia pelo momento em que Apocalipse 12:12 se torne uma realidade e ele possa descer à Terra, para fazer um enorme estrago. Ele é o maior exemplo de sadismo espiritual que alguém possa imaginar.

Conclusão: - Os que amam e servem ao Senhor Jesus Cristo, como o Senhor e Salvador de suas vidas, serão arrebatados, antes que o TERROR DOS TERRORES seja deslanchado sobre este mundo pecaminoso. O Arrebatamento vai acontecer antes da Grande Tribulação e, neste evento, os cristãos que amam a Vinda do Senhor, estão confiantes. Alegremos-nos na salvação que Cristo nos deu e vamos trabalhar para arrebatar alguns do fogo!



Mary Schultze, 23/09/2011 – www.maryschultze.com

Texto embasado no sermão do Pr. Joseph Chambers – “Nine Powerful Reasons”, de 21/09/2011.

29.1.11

A nova reforma protestante

Por Ricardo Alexandre / Matéria publicada na Revista Época

Rani Rosique não é apóstolo, bispo, presbítero nem pastor. É apenas um cirurgião geral de 49 anos em Ariquemes, cidade de 80 mil habitantes do interior de Rondônia. No alpendre da casa de uma amiga professora, ele se prepara para falar. Cercado por conhecidos, vizinhos e parentes da anfitriã, por 15 minutos Rosique conversa sobre o salmo primeiro (“Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios”). Depois, o grupo de umas 15 pessoas ora pela última vez – como já havia orado e cantado por cerca de meia hora antes – e então parte para o tradicional chá com bolachas, regado a conversa animada e íntima.



Desde que se converteu ao cristianismo evangélico, durante uma aula de inglês em Goiânia em 1969, Rosique pratica sua fé assim, em pequenos grupos de oração, comunhão e estudo da Bíblia. Com o passar do tempo, esses grupos cresceram e se multiplicaram. Hoje, são 262 espalhados por Ariquemes, reunindo cerca de 2.500 pessoas, organizadas por 11 “supervisores”, Rosique entre eles. São professores, médicos, enfermeiros, pecuaristas, nutricionistas, com uma única característica comum: são crentes mais experientes.

Apesar de jamais ter participado de uma igreja nos moldes tradicionais, Rosique é hoje uma referência entre líderes religiosos de todo o Brasil, mesmo os mais tradicionais. Recebe convites para falar sobre sua visão descomplicada de comunidade cristã, vindos de igrejas que há 20 anos não lhe responderiam um telefonema. Ele pode ser visto como um “símbolo” do período de transição que a igreja evangélica brasileira atravessa. Um tempo em que ritos, doutrinas, tradições, dogmas, jargões e hierarquias estão sob profundo processo de revisão, apontando para uma relação com o Divino muito diferente daquela divulgada nos horários pagos da TV.


                                       
                                                     Irani Rosique (crédito: Revista Época)
 
Estima-se que haja cerca de 46 milhões de evangélicos no Brasil. Seu crescimento foi seis vezes maior do que a população total desde 1960, quando havia menos de 3 milhões de fiéis espalhados principalmente entre as igrejas conhecidas como históricas (batistas, luteranos, presbiterianos e metodistas). Na década de 1960, a hegemonia passou para as mãos dos pentecostais, que davam ênfase em curas e milagres nos cultos de igrejas como Assembleia de Deus, Congregação Cristã no Brasil e O Brasil Para Cristo. A grande explosão numérica evangélica deu-se na década de 1980, com o surgimento das denominações neopentecostais, como a Igreja Universal do Reino de Deus e a Renascer. Elas tiraram do pentecostalismo a rigidez de costumes e a ele adicionaram a “teologia da prosperidade”. Há quem aposte que até 2020 metade dos brasileiros professará à fé evangélica.

Dentro do próprio meio, levantam-se vozes críticas a esse crescimento. Segundo elas, esse modelo de igreja, que prospera em meio a acusações de evasão de divisas, tráfico de armas e formação de quadrilha, tem sido mais influenciado pela sociedade de consumo que pelos ensinamentos da Bíblia. “O movimento evangélico está visceralmente em colapso”, afirma o pastor Ricardo Gondim, da igreja Betesda, autor de livros como Eu creio, mas tenho dúvidas: a graça de Deus e nossas frágeis certezas (Editora Ultimato). “Estamos vivendo um momento de mudança de paradigmas. Ainda não temos as respostas, mas as inquietações estão postas, talvez para ser respondidas somente no futuro.”

Nos Estados Unidos, a reinvenção da igreja evangélica está em curso há tempos. A igreja Willow Creek de Chicago trabalhava sob o mote de ser “uma igreja para quem não gosta de igreja” desde o início dos anos 1970. Em São Paulo, 20 anos depois, o pastor Ed René Kivitz adotou o lema para sua Igreja Batista, no bairro da Água Branca – e a ele adicionou o complemento “e uma igreja para pessoas de quem a igreja não costuma gostar”. Kivitz é atualmente um dos mais discutidos pensadores do movimento protestante no Brasil e um dos principais críticos da“religiosidade institucionalizada”. Durante seu pronunciamento num evento para líderes religiosos no final de 2009, Kivitz afirmou: “Esta igreja que está na mídia está morrendo pela boca, então que morra. Meu compromisso é com a multidão agonizante, e não com esta igreja evangélica brasileira.”

Essa espécie de “nova reforma protestante” não é um movimento coordenado ou orquestrado por alguma liderança central. Ela é resultado de manifestações espontâneas, que mantêm a diversidade entre as várias diferenças teológicas, culturais e denominacionais de seus ideólogos. Mas alguns pontos são comuns. O maior deles é a busca pelo papel reservado à religião cristã no mundo atual. Um desafio não muito diferente do que se impõe a bancos, escolas, sistemas políticos e todas as instituições que vieram da modernidade com a credibilidade arranhada. “As instituições estão todas sub judice”, diz o teólogo Ricardo Quadros Gouveia, professor da Universidade Mackenzie de São Paulo e pastor da Igreja Presbiteriana do Bairro do Limão. “Ninguém tem dúvida de que espiritualidade é uma coisa boa ou que educação é uma coisa boa, mas as instituições que as representam estão sob suspeita.”

Uma das saídas propostas por esses pensadores é despir tanto quanto possível os ensinamentos cristãos de todo aparato institucional. Segundo eles, a igreja protestante (ao menos sua face mais espalhafatosa e conhecida) chegou ao novo milênio tão encharcada de dogmas, tradicionalismos, corrupção e misticismo quanto a Igreja Católica que Martinho Lutero tentou reformar no século XVI. “Acabamos nos perdendo no linguajar ‘evangeliquês’, no moralismo, no formalismo, e deixamos de oferecer respostas para nossa sociedade”, afirma o pastor Miguel Uchôa, da Paróquia Anglicana Espírito Santo, em Jaboatão dos Guararapes, Grande Recife. “É difícil para qualquer pessoa esclarecida conviver com tanto formalismo e tão pouco conteúdo.”


                                               Miguel Uchôa e bispo Robinson Cavalcanti,
                                              da Diocese do Recife (crédito: Revista Época)

Uchôa lidera a maior comunidade anglicana da América Latina. Seu trabalho é reconhecido por toda a cúpula da denominação como um dos mais dinâmicos do país. Ele é um dos grandes entusiastas do movimento inglês Fresh Expressions, cujo mote é “uma igreja mutante para um mundo mutante”. Seu trabalho é orientar grupos cristãos que se reúnem em cafés, museus, praias ou pistas de skate. De maneira genérica, esses grupos são chamados de “igreja emergente” desde o final da década de 1990. “O importante não é a forma”, afirma Uchôa. “É buscar a essência da espiritualidade cristã, que acabou diluída ao longo dos anos, porque as formas e hierarquias passaram a ser usadas para manipular pessoas. É contra isso que estamos nos levantando.”

No meio dessa busca pela essência da fé cristã, muitas das práticas e discursos que eram característica dos evangélicos começaram a ser considerados dispensáveis. Às vezes, até condenáveis (leia o quadro na última pág.). Em Campinas, no interior de São Paulo, ocorre uma das experiências mais interessantes de recriação de estruturas entre as denominações históricas. A Comunidade Presbiteriana Chácara Primavera não tem um templo. Seus frequentadores se reúnem em dois salões anexos a grandes condomínios da cidade e em casas ao longo da semana. Aboliram a entrega de dízimos e as ofertas da liturgia. Os interessados em contribuir devem procurar a secretaria e fazê-lo por depósito bancário – e esperar em casa um relatório de gastos. Os sermões são chamados, apropriadamente, de “palestras” e são ministrados com recursos multimídias por um palestrante sentado em um banquinho atrás de um MacBook. A meditação bíblica dominical é comumente ilustrada por uma crônica de Luis Fernando Verissimo ou uma música de Chico Buarque de Hollanda.

“Os seminários teológicos formam ministros para um Brasil rural em que os trabalhos são de carteira assinada, as famílias são papai, mamãe, filhinhos e os pastores são pessoas respeitadas”, diz Ricardo Agreste, pastor da Comunidade e autor dos livros Igreja? Tô fora e A jornada (ambos lançados pela Editora Socep). “O risco disso é passar a vida oferecendo respostas a perguntas que ninguém mais nos faz. Há muita gente séria, claro, dizendo verdades bíblicas, mas presas a um formato ultrapassado.”

Outro ponto em comum entre esses questionadores é o rompimento declarado com a face mais visível dos protestantes brasileiros: os neopentecostais. “É lisonjeador saber que atraímos gente com formação universitária e que nos consideram ‘pensadores’”, afirma Ricardo Agreste. “O grande problema dos evangélicos brasileiros não é de inteligência, é de ética e honestidade.” Segundo ele, a velha discussão doutrinária foi substituída por outra. “Não é mais uma questão de pensar de formas diferentes a espiritualidade cristã”, diz. “Trata-se de entender que há gente usando vocabulário e elementos de prática cristã para ganhar dinheiro e manipular pessoas.”

Esse rompimento da cordialidade entre os evangélicos históricos e os neopentecostais veio a público na forma de livros e artigos. A jornalista (evangélica) Marília Camargo César publicou no final de 2008 o livro Feridos em nome de Deus (Editora Mundo Cristão), sobre fiéis decepcionados com a religião por causa de abusos de pastores. O teólogo Augustus Nicodemus Lopes, chanceler da Universidade Presbiteriana Mackenzie, publicou O que estão fazendo com a Igreja: ascensão e queda do movimento evangélico brasileiro (Mundo Cristão), retrato desolador de uma geração cindida entre o liberalismo teológico, os truques de marketing, o culto à personalidade e o esquerdismo político. Em um recente artigo, o presidente do Centro Apologético Cristão de Pesquisas, João Flavio Martinez, definiu como “macumba para evangélico” as práticas místicas da Igreja Universal do Reino de Deus, como banho de descarrego e sabonete com extrato de arruda.

Tais críticas, até pouco tempo atrás, ficavam restritas aos bastidores teológicos e às discussões internas nas igrejas. Livros mais antigos – como Supercrentes, Evangélicos em crise, Como ser cristão sem ser religioso e O evangelho maltrapilho (todos da editora Mundo Cristão) – eram experiências isoladas, às vezes recebidos pelos fiéis como desagregadores. “Parece que a sociedade se fartou de tanto escândalo e passou a dar ouvidos a quem já levantava essas questões há tempos”, diz Mark Carpenter, diretor-geral da Mundo Cristão.

O pastor Kivitz – que publicou pela Mundo Cristão seus livros Outra espiritualidade e O livro mais mal-humorado da Bíblia – distingue essa crítica interna daquela feita pela mídia tradicional aos neopentecostais “A mídia trata os evangélicos como um fenômeno social e cultural. Para fazer uma crítica assim, basta ter um pouco de bom-senso. Essa crítica o (programa) CQC já faz, porque essa igreja é mesmo um escracho”, diz ele. “Eu faço uma crítica diferente, visceral, passional, porque eu sou evangélico. E não sou isso que está na televisão, nas páginas policiais dos jornais. A gente fica sem dormir, a gente sofre e chora esse fenômeno religioso que pretende ser rotulado de cristianismo.”

A necessidade de se distinguir dos neopentecostais também levou essas igrejas a reconsiderar uma série de práticas e até seu vocabulário. Pastores e “leigos” passam a ocupar o mesmo nível hierárquico, e não há espaço para “ungidos” em especial. Grandes e imponentes catedrais e “cultos shows” dão lugar a reuniões informais, em pequenos grupos, nas casas, onde os líderes podem ser questionados, e as relações são mais próximas. O vocabulário herdado da teologia triunfalista do Antigo Testamento (vitória, vingança, peleja, guerra, maldição) é reconsiderado. Para superar o desgaste dos termos, algumas igrejas preferem ser chamadas de “comunidades”, os cultos são anunciados como “reuniões” ou “celebrações” e até a palavra “evangélico” tem sido preterida em favor de “cristão” – o termo mais radical. Nem todo mundo concorda, evidentemente. “Eles (os neopentecostais) é que não deveriam ser chamados de evangélicos”, afirma o bispo anglicano Robinson Cavalcanti, da Diocese do Recife. “Eles é que não têm laços históricos, teológicos ou éticos com os evangélicos.”

Um dos maiores estudiosos do fenômeno evangélico no Brasil, o sociólogo Ricardo Mariano (PUC-RS), vê como natural o embate entre neopentecostais e as lideranças de igrejas históricas. Ele lembra que, desde o final da década de 1980, quando o neopentecostalismo ganhou força no Brasil, os líderes das igrejas históricas se levantaram para desqualificar o movimento. “O problema é que não há nenhum órgão que regule ou fale em nome de todos os evangélicos, então ninguém tem autoridade para dizer o que é uma legítima igreja evangélica”, afirma.

Procurado por ÉPOCA, Geraldo Tenuta, o Bispo Gê, presidente nacional da Igreja Renascer em Cristo, preferiu não entrar em discussões. “Jesus nos ensinou a não irmos contra aqueles que pregam o evangelho, a despeito de suas atitudes”, diz ele. “Desde o início, éramos acusados disto ou daquilo, primeiro porque admitíamos rock no altar, depois porque não tínhamos usos e costumes. Isso não nos preocupa. O que não é de Deus vai desaparecer, e não será por obra dos julgamentos.” A Igreja Universal do Reino de Deus – que, na terceira semana de julho, anunciou a construção de uma “réplica do Templo de Salomão” em São Paulo, com “pedras trazidas de Israel” e “maior do que a Catedral da Sé” – também foi procurada por ÉPOCA para comentar os movimentos emergentes e as críticas dirigidas à igreja. Por meio de sua assessoria, o bispo Edir Macedo enviou um e-mail com as palavras: “Sem resposta”.

O sociólogo Ricardo Mariano, autor do livro Neopentecostais: sociologia do novo pentecostalismo no Brasil (Editora Loyola), oferece uma explicação pragmática para a ruptura proposta pelo novo discurso evangélico. Ateu, ele afirma que o objetivo é a busca por uma certa elite intelectual, um público mais bem informado, universitário, mais culto que os telespectadores que enchem as igrejas populares. “Vivemos uma época em que o paciente pesquisa na internet antes de ir ao consultório e é capaz de discutir com o médico, questionar o professor”, diz. “Num ambiente assim, não tem como o pastor proibir nada. Ele joga para a consciência do fiel.”

A maior parte da movimentação crítica no meio evangélico acontece nas grandes cidades. O próprio pastor Kivitz afirma que “talvez não agisse da mesma forma se estivesse servindo alguma comunidade em um rincão do interior” e que o diálogo livre entre púlpito e auditório passa, necessariamente, por uma identificação cultural. “As pessoas não querem dogmas, elas querem honestidade”, diz ele. “As dúvidas delas são as minhas dúvidas. Minha postura é, juntos, buscarmos respostas satisfatórias a nossas inquietações.”

Por isso mesmo, Ricardo Mariano não vê comparação entre o apelo das novas igrejas protestantes e das neopentecostais. “O destino desses líderes será ‘pescar no aquário’, atraindo insatisfeitos vindos de outras igrejas, ou continuar falando para meia dúzia de pessoas”, diz ele. De acordo com o presbiteriano Ricardo Gouveia, “não há, ou não deveria haver, preocupação mercadológica” entre as igrejas históricas. “Não se trata de um produto a oferecer, que precise ocupar espaço no mercado”, diz ele. “Nossa preocupação é simplesmente anunciar o evangelho, e não tentar ‘melhorá-lo’ ou torná-lo mais interessante ou vendável.”

O advento da internet foi fundamental para pastores, seminaristas, músicos, líderes religiosos e leigos decidirem criar seus próprios sites, portais, comunidades e blogs. Um vídeo transmitido pela Igreja Universal em Portugal divulgando o Contrato da fé – um “documento”, “autenticado” pelos pastores, prometendo ao fiel a possibilidade de se “associar com Deus e ter de Deus os benefícios” – propagou-se pela rede, angariando toda sorte de comentários. Outro vídeo, em que o pregador americano Moris Cerullo, no programa do pastor Silas Malafaia, prometia uma “unção financeira dos últimos dias” em troca de quem “semear” um “compromisso” de R$ 900 também bombou na rede. Uma cópia da sentença do juiz federal Fausto De Sanctis condenando os líderes da Renascer Estevam e Sônia Hernandes por evasão de divisas circulou no final de 2009. De Sanctis afirmava que o casal “não se lastreia na preservação de valores de ética ou correção, apesar de professarem o evangelho”. “Vergonha alheia em doses quase insuportáveis” foi o comentário mais ameno entre os internautas.

Sites como Pavablog , Veshame Gospel , Irmãos.com , Púlpito Cristão , Caiofabio.net ou Cristianismo Criativo fazem circular vídeos, palestras e sermões e debatem doutrinas e notícias com alto nível de ousadia e autocrítica. De um grupo de blogueiros paulistanos, surgiu a ideia da Marcha pela ética, um protesto que ocorre há dois anos dentro da Marcha para Jesus (evento organizado pela Renascer). Vestidos de preto, jovens carregam faixas com textos bíblicos e frases como “O $how tem que parar” e “Jesus não está aqui, ele está nas favelas”.

A maior parte desses blogueiros trafega entre assuntos tão diversos como teologia, política, televisão, cinema e música popular. O trânsito entre o “secular” e o “sagrado” é uma das características mais fortes desses novos evangélicos. “A espiritualidade cristã sempre teve a missão de resgatar a pessoa e fazê-la interagir e transformar a sociedade”, diz Ricardo Agreste. “Rompemos o ostracismo da igreja histórica tradicional, entramos em diálogo com a cultura e com os ícones e pensamento dessa cultura e estamos refletindo sobre tudo isso.”



                                       Blogueiros se reunem para marchar pela ética evangélica
                                                               (crédito: Revista Época)

Em São Paulo, o capelão Valter Ravara criou o Instituto Gênesis 1.28, uma organização que ministra cursos de conscientização ambiental em igrejas, escolas e centros comunitários. “É a proposta de Jesus, materializar o amor ao próximo no dia a dia”, afirma Ravara. “O homem sem Deus joga papel no chão? O cristão não deve jogar.” Ravara publicou em 2008 a Bíblia verde, com laminação biodegradável, papel de reflorestamento e encarte com textos sobre sustentabilidade.

A então ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, escreveu o prefácio da Bíblia verde. Sua candidatura à Presidência da República angariou simpatia de blogueiros e tuiteiros, mas não o apoio formal da Assembleia de Deus, denominação a que ela pertence. A separação entre política e religião pregada por Marina é vista como um marco da nova inserção social evangélica. O vereador paulistano e evangélico Carlos Bezerra Jr. afirma que o dever do político cristão é “expressar o Reino de Deus” dentro da política. “É o oposto do que fazem as bancadas evangélicas no Congresso, que existem para conseguir facilidades para sua denominação e sustentar impérios eclesiásticos”, diz ele.

O raciocínio antissectário se espalhou para a música. Nomes como Palavrantiga, Crombie, Tanlan, Eduardo Mano, Helvio Sodré e Lucas Souza se definem apenas como “música feita por cristãos”, não mais como “gospel”. Eles rompem os limites entre os mercados evangélico e pop. O antissectarismo torna os evangélicos mais sensíveis a ações sociais, das parcerias com ONGs até uma comunidade funcionando em plena Cracolândia, no centro de São Paulo. “No fundo, nossa proposta é a mesma dos reformadores”, diz o presbiteriano Ricardo Gouveia. “É perceber o cristianismo como algo feito para viver na vida cotidiana, no nosso trabalho, na nossa cidadania, no nosso comportamento ético, e não dentro das quatro paredes de um templo.”

A teologia chama de “cristocêntrico” o movimento empreendido por esses crentes que tentam tirar o cristianismo das mãos da estrutura da igreja – visão conhecida como “eclesiocêntrica” – e devolvê-lo para a imaterialidade das coisas do espírito. É uma versão brasileiramente mais modesta do que a Igreja Católica viveu nos tempos da Reforma Protestante. Desta vez, porém, dirigida para a própria igreja protestante. Depois de tantos desvios, vozes internas levantaram-se para propor uma nova forma de enxergar o mundo. E, como efeito, de ser enxergadas por ele. Nas palavras do pastor Kivitz: “Marx e Freud nos convenceram de que, se alguém tem fé, só pode ser um estúpido infantil que espera que um Papai do Céu possa lhe suprir as carências. Mas hoje gostaríamos de dizer que o cristianismo tem, sim, espaço para contribuir com a construção de uma alternativa para a civilização que está aí. Uma sociedade que todo mundo espera, não apenas aqueles que buscam uma experiência religiosa”.


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Comentário de Leonardo Gonçalves:

O leitor do Púlpito Cristão sabe que não endossamos, sob nenhuma hipótese, o open theism (ou teologia relacional - pintam o poço, mas a água é a mesma) que transparece nos textos do Ricardo Gondim e de Ed René Kvitz, ao mesmo tempo que nos identificamos com Paulo Romeiro, Augustus Nicodemus e Ricardo Agreste, bem como apoiamos a marcha pela ética evangélica, realizada por Paulo e Vera nos dois últimos anos. Somos conservadores em nossa teologia, embora amplamente abertos ao debate cultural e novas perspectivas missiológicas.

Definitivamente não somos um grupo de teólogos liberais querendo modificar o cristianismo; somos cristãos apaixonados que buscam viver e ensinar a essência perdida do evangelho de Cristo. No entanto, a presente matéria é extremamente importante, pois nela fez-se distinção entre a liderança corrupta, mensaleira e vergonhosa, e crentes sinceros - ainda que imperfeitos, demonstrando que nem todo mundo é farinha do mesmo saco-gospel.

Espero (e oro) para que cada vez mais pessoas possam reconhecer essas diferenças, que mais gente entenda que existem pastores honrados, comunidades sérias e crentes pensantes - não intelectualóides, mas pensantes - que estão seriamente preocupados com os rumos da igreja evangélica brasileira.

O que é a igreja?

Igreja é um lugar onde o Pai se sente em casa,

Onde é adorado pelo que é e não pelo que pode,

Onde é obedecido de coração e não por constrangimento,

Onde o seu reino é manifesto no amor, na solidariedade, na fraternidade e serviço ao outro,

Onde o ser humano se perceba em casa e seja a casa de Deus e do outro,

Onde Jesus Cristo é o modelo, o desejo e o caminho,

Onde a graça é o ambiente, o perdão a base do relacionamento e o amor a sua cimentação.

Onde o Espírito Santo está alegre pela liberdade que desfruta para gerar e expressar a Cristo,

Onde Ele vê os seus dons serem usados para edificar, provocar alegria e servir ao próximo,

Onde todos andam abraçados,

Onde a dor de um é a dor de todos,

Onde ninguém está só,

Onde todos têm acesso ao perdão, à cura de suas emoções, à amizade e a ser cada vez mais parecido com Cristo,

Onde os pastores são apenas ovelhas-exemplo e não dominadores dos que lhes foram confiados,

Onde os pastores são vistos como ovelhas-líder e não como funcionários a serem explorados.

Onde não há gente nadando na riqueza enquanto outros chafurdam na miséria,

Onde há equilíbrio, de modo que quem colheu demais não esteja acumulando e quem colheu de menos não esteja passando necessidades.

Enfim, a comunidade do reino de Deus,

Onde aparece a humanidade que a Trindade sonhou,

Onde a cidade encontra paradigmas.

Onde o livro texto é a Bíblia.

(Sua igreja é assim?)

ARIOVALDO RAMOS

 Texto extraído do site http://eaverdadevoslibertar.blogspot.com/2010/09/igreja.html

16.12.10

QUANDO A PROVAÇÃO É MOTIVO DE ALEGRIA

A pregação do evangelho nos nossos dias não tem preparado as pessoas para serem resistentes às provações. E, o pior, todos estão sujeitos a problemas, mesmo os salvos. O evangelho de hoje exige que os problemas sejam eliminados e rapidamente, renegando sua permanência por tempo indeterminado. Nem se considera que as provações podem ser meios de produzir frutos na própria vida e na de outros. Não é assim que Tiago vê as provações. Ele diz: "Considerem motivo de grande alegria o fato de passarem por diversas provações".

Algumas observações preliminares: Quem era Tiago?

Era irmão de Jesus e um dos líderes da Igreja em Jerusalém.Para quem ele está escrevendo? Para gente em provação: judeus convertidos, perseguidos e dispersos entre as nações.

I. Quando a provação é motivo de alegria?

Quando você vê o propósito.Deus tem propósitos ao permitir que provação o atinja. Veja as possibilidades que Tiago sugere:

1. Quando é uma prova de fé - Em quem você confia? · Em si mesmo? A provação demonstrará que você não tem força suficiente. · Em Deus? A provação lhe dará oportunidade de experimentar os recursos de Deus.

2. Quando é um meio para torná-lo maduro e íntegro - A provação é um exercício para o espírito.Assim como o corpo físico se desenvolve e atinge o seu potencial se sujeito a esforço, assim também as virtudes espirituais e de caráter são desenvolvidas quando submetidas a provas. Você aprende a amar, quando pessoas desprezíveis são colocadas em sua vida. Você aprende a ter calma, quando é colocado sob pressão. Você aprende a confiar em Deus, quando se vê impotente diante de uma situação. Cada prova passada lhe dá melhor capacidade de enfrentar a seguinte. Você vai se tornando maduro - adulto - e íntegro - inteiro, com todas as partes desenvolvidas.

3. Quando você sabe que será recompensado - Muito mais vantajoso que ser livre dos incômodos e traumas das provações presentes é saber que há uma recompensa eterna aguardando você, por tê-las suportado. "Considero que os nossos sofrimentos atuais não podem ser comparados com a glória que em nós será revelada" (Rm 8.18). Suportar com alegria as provações é uma prova de amor a Deus. E ele sabe recompensar aqueles que o amam. A coroa da vida é um prêmio cuja descrição não é precisa, apenas que diz respeito à vida. Se a experiência da vida terrena foi de alguma forma afetada por sofrimentos, a vida celestial será caracterizada pela vida plena.



II. Como enfrentar a provação?

1. Com perseverança - 3,4Perseverar é permanecer firme, é não esmorecer. É permanecer confiando obstinadamente em Deus quando as dificuldades e tragédias da vida nos sobrevêm. Ilustração: História do oficial japonês solitário numa ilha e que permanecia cumprindo sua rotina militar, embora a guerra já houvesse terminado há anos, porque ele não sabia. Ele permaneceu fiel às instruções superiores. Ele foi condecorado por sua fidelidade e perseverança. 2. Com humildade - 5, 9-11Em meio à prova é natural sermos tomados de perplexidade. É compreensível não sabermos que decisão tomar. Aqui não há espaço para orgulho, para auto-suficiência. No meio da provação, quando você está desorientado, você precisa pedir ajuda a Deus.

Isto é sinal de humildade. Deus quer que você dependa dele. Se é de sabedoria que você precisa, ele quer ser o seu provedor (5). Os versículos 9 a 11 descrevem duas classes de pessoas cuja situação exterior revela muito de sua atitude interior. Em geral quem é pobre, tem tanta consciência de sua carência que está mais pronto a reconhecer sua miséria e se humilhar, dependendo totalmente de Deus. Então ele se orgulha, não de si mesmo, mas do que Deus fez para ele. Isto é, o colocou numa posição elevada e isso não é mérito seu, mas de Deus. Já o rico tem a tendência de colocar sua segurança nos bens que acumulou e corre o risco de confiar na sua própria capacidade de progredir. Ele não pode esquecer-se que é tão vulnerável e precisa de Deus exatamente na mesma medida que o pobre. A humildade que leva alguém a depender totalmente de Deus é exigência obrigatória para todos aqueles que enfrentam tribulações. 3. Com fé - 6-8

A provação é antes de mais nada uma prova de fé, como já dissemos. Portanto, a fé é também requisito obrigatório para quem passa por tribulações. Fé é o exercício do espírito quando tudo é confuso, inexplicável, escuro, incompreensível e absurdo. É a certeza de que Deus está no controle no meio do caos que envolve a sua vida. A dúvida o leva à instabilidade, ao medo, à falta de critério na busca de soluções, às decisões e escolhas erradas ("é alguém que tem a mente dividida, instável em tudo o que faz" - 8). Você é levado ao sabor das ondas. A fé o faz ser sereno e tranqüilo no meio dos problemas. Você é como uma torre forte cujos alicerces estão fincados no fundo do oceano. Não importa quão forte sejam os ventos e as ondas, você permanece inabalável. Deus honrará sua a fé, sustentando-o, fortalecendo-o e dando-lhe sabedoria durante a provação.

Conclusão

Nem todos os problemas serão eliminados de sua vida. É possível que você carregue a dor de uma perda irreparável por toda sua vida. Mesmo assim você pode encarar esta provação como um motivo de alegria, pois Deus está lhe dando uma oportunidade de provar a sua fé, está tornando-o mais maduro e íntegro e lhe recompensará no final com a coroa da vida.



Pr. Alexandre Tempel

Texto extraído do site: http://pvpd.blogspot.com/2009/06/quando-provacao-e-motivo-de-alegria.html

15.8.10

Cristianismo de marionetes: Bonecos sem vida nas mãos de uma liderança corrupta!


Por Leonardo Gonçalves

Estamos vivendo na época dos crentes marionetes. Em um país onde apenas uma parcela ínfima da sociedade adquiriu o gosto pela leitura, era de se esperar que uma religião que demanda fidelidade a um livro – ainda que seja um livro sagrado – encontraria problemas para se desenvolver de forma saudável. É claro que eu conheço as estatísticas recentes que mostram o crescimento vertiginoso dos evangélicos, mas essas pesquisas também nos revelam que a maior parte desse crescimento se dá na ala neopentecostal, em meio a igrejas que exploram ao máximo a fé mística, ubandista, idólatra e xamânica do povo brasileiro – sincretizando essas religiões e condensando-as em uma forma de culto muito diferente do culto racional de Romanos 12, e que por pura teimosia insiste em serem chamadas “igrejas evangélicas”. É claro que essas crenças não passam pelo crivo bíblico, de modo que para sustentá-las não basta apenas distorcionar as palavras da Bíblia: é preciso literalmente abandoná-la para levar à cabo essa religião idólatra, utilitarista e manipuladora.

Devido à multiplicação dos chamados “movimentos contraditórios” (um eufemismo para seitas), a Bíblia tem sido conservada apenas como acessório, um adorno para o púlpito, mas a bem da verdade, uma peça sem serventia. Cada vez menos se recorre a ela para basear opiniões, de forma que até o conhecido bispo-empresário chegou ao ponto de lançar uma campanha televisiva em favor do aborto, causando gande confusão no meio evangélico. Se por um lado o telebispo foi mais longe que todos os demais, por outro lado precisamos reconhecer que ele não está só: ele fez escola. Muitos telepastores e telepregadores tem seguido os seus passos. Essa semana estava lendo acerca de um telepastor (aquele que faz chapinha, sabe?) que formou uma caravana e se dirigiu para Israel, a fim de queimar os pedidos de oração que os “fãs” enviam para o seu programa. Outro pregador, que já foi um verdadeiro militante apologista, e que batia de frente com os modismos, heresias e falácias neopentecostais, mudou de trincheira e agora defende com unhas e dentes a teologia da prosperidade, preferindo a mensagem de “Vitória em Cristo” do que aquela da “Salvação por Cristo”.

Quero deixar claro que jamais afirmei ser o dono absoluto da verdade, antes anuncio que a Bíblia é verdadeira e me oponho veementemente a esse cristianismo analfabeto. Ora, o cristianismo sem Bíblia é como um casamento sem conjuge! É nela que encontramos a ética do reino, as promessas de Deus e suas demandas, as palavras inspiradoras de Cristo nos evangelhos, a doutrina cristã sistematizada por Paulo e a mensagem apologética de Pedro e Judas. Ela é o maior documento que o cristianismo possui. Ignorar a Bíblia é ignorar os atos de Deus na história da salvação, e conseqüentemente a nossa própria história. Mas infelizmente o que vejo hoje é um cristianismo sem Bíblia, sem Cristo, sem dogma e sem mensagem salvadora. Um cristianismo consumista, capitalista, utilitário, espíritista, relativista e pragmático. Os seguidores desse cristianismo caricato são marionetes nas mãos dos lobos devoradores, sendo constantemente manipulados para o benefício dos líderes que enchem os bolsos com o dinheiro dos “fiéis”, comprando aviões de 30 milhões de dólares, construindo mansões em Campos do Jordão, ou investindo em cavalos árabes “puro sangue”. Enquanto isso, os crentes se prestam aos mais absurdos papéis: banhando-se com sabonete de arruda, participando de sessões de descarrego, fazendo despachos, comprando produtos “made in Israel” e movimentando esse marcado milionário que é a industria da iconolatria evangélica.

É assim que cresce a igreja evangélica brasileira: enferma. Ela é uma igreja obesa, com o colesterol alto e diabetes. É uma comunidade doente, mas não é a única culpada da sua saúde precária. Falharam os seus pastores em administrar-lhe uma dieta saudável, e ainda falham ao dar-lhe veneno em lugar de remédio. É verdade que a igreja evangélica está crescendo, porém esse não é um crescimento saudável.

Quando era criança, me apaixonei por marionetes. Lembro-me que no jardim de infância meus olhos brilhavam durante as apresentações do grupos de títeres. Porém, o tempo foi passando e um dia eu descobri que a voz que eu ouvia não era a voz do boneco: havia alguém escondido atrás da cortina movendo os pobres personagens sem vida. Desse dia em diante, perdi totalmente o interesse por marionetes. Os membros dessas novas igrejas são meros títeres, massa de manobra na mão dos perversos, dominadores e exploradores da fé alheia. São os lobos vorazes que manipulam os bonecos inertes a fim de satisfazer suas necessidades e seus sórdidos interesses. Nossos membros são marionetes: a voz que ouço em suas defesas “apologéticas”, definitivamente não é deles. Já ouvi essa voz antes e aprendi a reconhecer o som por detrás do boneco de madeira. Eles não podem me enganar, pois aprendi cedo, aos 5 anos de idade, a discernir a voz que comanda o sistema.



***
Este texto foi um dos primeiros publicados na tribuna virtual chamada Púlpito Cristão, em Outubro de 2008

13.8.10

Pastores de si mesmos


Por André Santos

Infelizmente estamos mergulhados em uma crise de vocação ministerial sem fim. Ser pastor em uma sociedade como a nossa, não é uma tarefa fácil, bem da verdade que se tornou uma árdua tarefa. A nossa geração precisa ter consciência que os desafios que nos são propostos são particulares a nossa geração. Como disse o pastor Luiz Duarte: “Cada geração é responsável pela sua geração”.

Vivemos em dias desafiadores, dias de alta tecnologia, da velocidade de informações, da busca de soluções imediatas, dias onde “nada” é absoluto, mas tudo tem sido levado ao crivo do relativismo. Uma das coisas mais difíceis que há em nossos dias, é encontrar uma igreja autentica, sem o verniz da aparência por cima de um arcabouço cavo, oco. Os pastores sentem-se sem ânimos, vencidos pela modernidade das igrejas tecnológicas, pastores que outrora eram referencias para sua geração, são postos de canto em detrimento das inovações juvenis, alguns até irresponsáveis. Os dias em que vivemos são reflexos do século XXI, um século permeado de desafios.

No meio desses desafios surgem outros, como por exemplo, o de continuar sendo pastor, em uma sociedade que não tem como característica a busca pelo divino, em uma sociedade que é caracterizada pela busca da espiritualidade fora de Deus. A banalização e secularização do sagrado fazem com que as pessoas não valorizem o ministério como algo que acontece por vocação e sim por ambição. Ser pastor, não traz mais cunho de vocação, mas de uma oportunidade para sucesso e fama no meio “gospel”.

A maior desilusão é quando encontramos pastores que abdicaram da verdadeira vocação para com o rebanho de Deus, e passaram a apascentarem a si mesmos. Sim, pastores que fazem das igrejas extensão de si mesmos, onde o apascentar o rebanho de Deus, tornou-se secundário. Isso não é novo, na verdade é uma problemática antiga que contribuiu para o desmoronamento do sistema religioso de Israel, a voz de Deus pôde ser ouvida através do profeta Ezequiel no cativeiro Babilônico que disse: “Filho do homem, profetiza contra os pastores de Israel; profetiza e dize-lhes: Assim diz o SENHOR Deus: Ai dos pastores de Israel que se apascentam a si mesmos! Não apascentarão os pastores as ovelhas?” (Ez 34.2).

Nos tempos onde as crises alçavam altos picos, em um ambiente fértil que germinava nas pessoas a busca pelos seus próprios interesses, o profeta denúncia esse mesmo sentimento no coração dos pastores que haviam abandonado o rebanho e estavam apascentando a si mesmos.

Características dos pastores de si mesmos

O assunto não pode ser tratado de forma simplista, mesmo porque existem muitos pontos a serem considerados, porém, quero destacar aqui pelo menos quatro características que identificam pastores que inclinam-se a apascentar-se a si mesmos.

1. Se preocupam apenas com si mesmos. Existe uma linha muito tênue entre “cuida-te de ti mesmo” e apascentar a si mesmo. Porque a necessidade do cuidado pessoal para a vida é obrigação do obreiro, existem várias exortações bíblicas que nos apontam para esse cuidado, Paulo disse a Timóteo: “Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina...” (I Tm 4.16), porém, não podemos fazer uma coisa como desculpa para abandonar outra. Há pastores que se preocupam em engodarem-se as custas do rebanho, sem critério algum, causando estragos sem precedentes. É um fato muito triste ver como alguns rebanhos são subjugados e extorquidos, em lugares onde se mercadejam as bênçãos de Deus.

Ultimamente temos visto grandes exemplos através dos pastores midiáticos que tem explorado o rebanho de Cristo sem o mínimo de misericórdia, alimentando seus egos e seus projetos “megalomaníacos”.

2. Abandonam o rebanho. Uma das coisas mais tristes que há é ver como os rebanhos estão abandonados, perdidos e desorientados. Rebanhos sem pastores, rebanhos que são levados de um lado para o outro por ventos de doutrina, buscando algo que possa saciar sua alma, pois os pastores estão demasiadamente ocupados e não podem atendê-los. Jesus lamentou sobre a condição do rebanho de Israel que tinha uma religião bem resolvida e que gozava de certo status junto ao império, quando disse: “Vendo ele as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor” (Mt 9.36).

Muitas pessoas literalmente abandonadas e aflitas. Muitas vezes, porque a ocupação que parece ser demasiada, nada mais é do que necessidade de parecer importante. Eugene Peterson diz o seguinte:

“Que maneira melhor do que ser ocupado? As horas incríveis, os horários cheios,
e as pesadas demandas no meu tempo provam para mim mesmo – e para todos que
observarem que sou importante”.2

O trabalho pastoral vai muito além dos cultos de domingos, as necessidades são alarmantes, urgentes e imediatas.

3. Usam o rebanho como meio para fins. O rebanho de Cristo é o fim em si mesmo, porque foi por pessoas de todas as tribos, raças e nações que Jesus morreu na cruz e não por projetos que aparentemente viabilizam o alcance de “almas”. Precisamos analisar com temor e tremor as palavras do apóstolo Pedro: “Assim como, no meio do povo, surgiram falsos profetas, assim também haverá entre vós falsos mestres, os quais introduzirão, dissimuladamente, heresias destruidoras, até ao ponto de renegarem o Soberano Senhor que os resgatou, trazendo sobre si mesmos repentina destruição [...]também, movidos por avareza, farão comércio de vós, com palavras fictícias; para eles o juízo lavrado há longo tempo não tarda, e a sua destruição não dorme” (II Pe 2.1,3). Infelizmente muitos pastores vêem o rebanho como clientes e não como ovelhas, pessoas que buscam O Caminho, e simplesmente, dissimulam a verdade. Uma ocasião um seminarista me perguntou qual era a diferença da administração de uma empresa para administração de uma igreja, e eu respondi com poucas palavras: - “Administrar uma empresa é ver as pessoas como um meio para se chegar a um fim, que é o lucro. E, administrar uma igreja é enxergar as pessoas como o fim em si mesmo”. Porque foi por nós que Jesus morreu. Por isso, devemos usar todas estruturas envolvidas para que vidas sejam alcançadas e trazidas aos pés do Bispo das nossas almas, Jesus.

4. Vivem do rebanho, mas não cuidam do rebanho. Muitos ainda esbarram em uma pergunta antiga: O pastor deve ser remunerado? Acredito que a Bíblia tenha respostas claras para essa questão e reforçando a idéia que sim (I Co 9; II Tm 2.6,7). Mas o fato é que, se vivem assalariados pela obra, devem viver para a obra. E que obra é essa? Cuidar verdadeiramente do rebanho. O Profeta Ezequiel novamente aparece no cenário com a exortação: “Comeis a gordura, vestis-vos da lã e degolais o cevado; mas não apascentais as ovelhas” ( Ez 34.3).

Infelizmente há pastores que evocam para si direitos especiais, mas que por outro lado não cumprem com o dever, o de apascentar o rebanho de Deus.

Desenvolvendo a vocação com autenticidade

Em tempos assim, é difícil de se identificar qual o modelo de pastor a seguir. Falta-nos referenciais e exemplos a serem seguidos. Pois, hoje, é preciso uma renovação de entendimento para que venhamos a sair da masmorra secularizada em que está mergulhada a nossa geração. Como superar esse momento e reformular em algum nível, alguns modelos pastorais existentes em nossos dias? Como pregando a outros, nós mesmos não venhamos ser reprovados no exercício pastoral?

Em primeiro lugar, é necessário ter em mente que o rebanho é de Cristo. Há uma certa tendência dos pastores sentirem-se donos dos rebanhos, e querer usufruir desse direito para fazer o que bem entender. O escritor Colin S. Smith diz o seguinte:

“...O uso do nome de Deus por líderes espirituais com o intuito de confirmar as
próprias idéias é pura exploração e torna-se uma forma de chantagem espiritual.
É uma ofensa contra Deus e um pecado que ele não considera superficial” .

Essa é uma tendência que escamoteia o rebanho e leva apodera-se do mesmo. Porém, quando lembramos a nós mesmos que o rebanho é de Cristo, a noção muda, o ministério e a vocação tomam outro significado. O apóstolo Pedro diz: “pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós, não por constrangimento, mas espontaneamente, como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de boa vontade; nem como dominadores dos que vos foram confiados, antes, tornando-vos modelos do rebanho” (I Pe 5.2,3). O rebanho foi confiado pelo próprio Jesus Cristo, e jamais podemos querer apropriar-nos dele. Cristo é o Bom pastor que dá a vida pelas suas ovelhas. Nós podemos construir a infra-estrutura, mas as pessoas, continuam sendo do “...Bispo e Pastor das vossas almas” ( I Pe 2.25).

Em segundo lugar, é preciso desenvolver a chamada por vocação. Poucos pastores têm a certeza da vocação. Muitos foram lançados na arena e deixados ao leu, sem estrutura ou convicção da própria chamada. Outros são abandonados à própria sorte, tendo que lutar, muitas vezes sozinho com dificuldades existenciais esmagadoras. Infelizmente tem crescido o número de pastores que cometem suicídio e que tem desistido de tudo, do chamado e até mesmo da vida. O apóstolo Paulo sabia que para pregar o Evangelho de Cristo e pastorear o rebanho de Deus, tinha que ser vocacionado, e por isso, afirmou dizendo: “Porém em nada considero a vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus para testemunhar o evangelho da graça de Deus” (At 20.24).

O apóstolo Pedro parou de hesitar em seguir a Jesus e entender qual era sua vocação, não apenas depois do Pentecostes, mas depois que Jesus mirou os seus olhos, e lhe pediu a maior prova de amor que ele poderia demonstrar que era: “apascentando o seu rebanho” (Jo 21.15-17). Um chamado à vocação.

A vocação para o ministério não envolve fracasso profissional em dimensões seculares, projeção publica através do ministério e do rebanho. Não! Mas sim, uma vida de entrega a Jesus, tendo plena convicção que o seu chamado não foi dado pelos homens e sim pelo próprio Jesus, que deu uns também para pastores “...tendo em vista o aperfeiçoamento dos santos” (Ef 4.12). Tenha consciência que os profetas, apóstolos, bispos, presbíteros e pastores que a Bíblia Sagrada menciona, superaram os mais diversos obstáculos, porque eles sabiam em quem estavam crendo. Para eles, viver era atender a vocação que Deus os confiou, de maneira que de alguns deles, o escritor aos Hebreus confirma: “homens dos quais o mundo não era digno...” (Hb 11.38).

Em terceiro lugar, deve considerar que um dia será chamado à prestação de contas. Nenhum pastor pode ignorar essa verdade, seremos chamados à prestação de contas do rebanho que nos foi confiado. O escritor aos Hebreus diz: “Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles; pois velam por vossa alma, como quem deve prestar contas, para que façam isto com alegria e não gemendo; porque isto não aproveita a vós outros”. (Hb 13.17). Já vi muitos pastores fazendo menção desse versículo apenas para exigir submissão e obediência, porém, esquecendo-se que, não passa desapercebido o texto que diz: “...como quem deve prestar contas...”. Essa é uma responsabilidade unânime no ministério pastoral, e que deve ser encarada com zelo e com amor. Foi com essa consciência que o apóstolo Paulo afirmou para os Tessalonicenses que tinha agido como uma mãe e como um pai com a igreja (I Ts 2.7,11).

Por último, é preciso dessecularizar o ministério pastoral. Todos nós sabemos que o ministério pastoral é um oficio espiritual, mas nesse mundo secularizado de hoje, onde muitas pessoas não conseguem enxergar além de uma visão materialista e ultrajante em todas as dimensões, precisamos lembrar que o mesmo Jesus que nos chamou para apascentar, nos chamou para o fazer por uma dádiva espiritual e não secularizada. Todos os instrumentos que utilizamos para o progresso do Evangelho são de grande importância, mas nada pode substituir a cruz de Cristo, de onde vem toda fonte de amor, dedicação sacrificial, entrega e devoção à chamada para apascentar. Precisamos de pastores que realmente conheçam o coração de Deus, como diz a Bíblia Sagrada: “Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração, que vos apascentem com conhecimento e com inteligência” (Jr 3.15).

Pastores estereotipados de "executivos" e de “super ungidos” são desnecessários para o rebanho. Um pastor precisa ser gente como seu rebanho, no mesmo arquétipo do próprio Cristo, vivendo como nós, passando a ser um de nós, sem negar a sua essência humana. Já ouvi de pastores que não se misturam com seus rebanhos para não parecer um deles. Isso é um fracasso no ministério pastoral, porque nenhuma liderança que é imposta por ostentação, por falsa impressão será valorizada. Podem até lhe aplaudir, mas no fundo saberão, que não passa de elucubrações humanas.

Que a chamada pastoral seja mais valorizada e que possamos nos aventurar em caminhar nos dedicando à fundo na chamada e na vocação que o Senhor nos tem confiado, atendendo a vocação de apascentar o rebanho de Deus e alcançando respeito diante dos homens como afirmou o apóstolo Paulo: “Assim, pois, importa que os homens nos considerem como ministros de Cristo e despenseiros dos mistérios de Deus” (I Co 4.1).

Paz seja convosco!

Fonte & autor: André Santos
Via: Emeurgência

2.8.10

Porque os reis andam nus


Rubinho Pirola


Como na parábola que nos contavam quando crianças, os reis continuam nus.


Reis, como os que estão investidos de autoridade, ou da presunção de, com seguidores e subalternos.
É difícil para quem está por cima, ouvir com ouvidos de se ouvir, os que estão em outro patamar, mesmo que seja só no juízo desse superior. Vale a ideia do"quanto mais alto, mais distante para se ouvir".
Há o pressuposto no coração do "superior", a premissa que é inatingível, que é infalível ou, se o é, não é tão fácil assim de isso vir a acontecer, a não ser por uma hipotética e distante possibilidade, imaginam eles.
Eu me tenho cansado de tentar corrigir, ou argumentar ou sequer, chamar a atenção de alguns, mesmo que muito amados. Deve ser isso, precisamente o que se passa no coração de Deus, ao lidar com esses.
Há um tempo atrás, querendo eu escrever a um amado pastor e chamar a sua atenção - com muito cuidado para não me arvorar em alguém maior, mas com a sinceridade de quem ama e vê o amigo naufragar, fui alertado por outro, a quem compartilhei o peso de tão grande tarefa. que não devia fazê-lo. "Nem tente sequer, Rubinho. Ele anda tão alto em si mesmo, que ainda há de zangar-se com você e nem vai chegar ao meio do escrito, quanto mais refletir sobre isso. Simplesmente ore por ele", disse-me.
E assim fiz.
O rei, nú, bebe da verdade que "nada é pior que o sucesso, pra além da aparência dele". Por terem esses, o bilau pequeno, sei lá..., recusam-se a enxergar a verdade (Freud explica...)
Ao portarem assim, crêem cuidar da reputação - o que deles se pode enxergar - descuidando daquilo que os anjos, e os céus dizem a seu respeito.
Achamos que temos, que somos, que estamos (e não nos falta sempre aqueles para nos lembrar disso) e os nossos ouvidos fecham-se em si mesmos. E todos continuam a assistir o, cada dia mais, patético desfile de alguém vestido por uma roupa tecida de vaidade, narcisismo ou de bajulação e endeusamento, feito por costureiros da idolatria.
Se esse lacre está na baixa qualidade (intelectual, cultural, até bíblica) dos subalternos, qualquer argumento, por mais idiota e falso que seja, vale.
Se ele está na qualidade - muito superior - de raciocínio e verborragia - do rei, vende-se até, como dizemos em Minas, "rancho-pegando-fogo". O problema é que, depois de um tempo de discussão - quase sempre acalorada - mesmo que todos acabam por concordar com o rei, nu ainda, o que resta é um amargo gosto de manipulação e de terem sido usados, ainda que todos tenham acabado por concordar pelo esgotar dos argumentos.
Os reis continuam nus. A mídia, o poder público, os políticos, os doutores de toda espécie, os pais, maridos, esposas, filhos rebeldes, os pastores (os apóstolos, ai,... os apóstolos...) e até os amigos, empoleirados no alto dos seus orgulhos-feitos-roupa-sob-medida.
Mas há um preço terrível por andar-se nu, para além da própria vergonha. Há a visão implacável do Justo Juiz, diante da qual, homem algum consegue esconder-se.
Em Romanos no capítulo 1, Paulo discorre com veemência contra os reis. Contra aqueles que teimam em andar desnudos. Deus os entrega às suas insistentes vontades de andarem assim.
E o preço está lá: a própria destruição.
E destes, o Onipresente Deus passa longe.
Peço a Deus que nunca me faltem os amigos. Os sinceros e corajosos. E que ainda nem precisem de tanta força assim para dizer o que tenho de ouvir.
Mas que não me falte também, o mesmo coração de Davi, um rei que, nu, ao ouvir de um subalterno a correção (ainda que à custa de uma parábola sobre um vizinho assassino e ladrão), não hesitou em dizer (e assumir): "este, sou eu".
E foi chamado pelo alto de "Homem segundo o coração de Deus"!
"Perto está o SENHOR dos que têm o coração quebrantado, e salva os contritos de espírito." Salmos 34:18

Leia Mais em: Porque os reis andam nus